Sortes Do Toureio A Cavalo

O toureio equestre é rico em sortes e variantes, se bem que não tão variado quanto o permite o toureio apeado. Mas, quando bem executado, com arte e perfeição, é de uma enorme beleza, pelo conjunto proporcionado por cavalo e cavaleiro em perfeita harmonia, frente á investida nobre do toiro.
A sorte tem vários tempos, tal como no toureio apeado, aqui designadas da seguinte forma:

Citar: Ou seja, chamar a atenção da rês, fixando-o no cavalo
Consentir: Após o cite, aguardando a investida do toiro
Reunir: É o momento em que cavalo e toiro entram na jurisdição um do outro, ou seja, o momento do encontro do cavalo e do toiro
Rematar: Saída após a colocação do ferro

Poderíamos, em termos gerais, definir 4 grandes tipos de sortes, de acordo com o preconizado pelo Engº. Fernando Sommer d’Andrade:

Conforme o sítio da arena: Sorte à gaiola; Sorte ao sesgo; Sorte de largo; Sorte em curto; Sorte de poder a poder

Conforme o toiro esteja em movimento ou parado: Sorte recebendo
Sorte acometendo; Sorte a dois tempos; Sorte em terrenos cambiados Sorte galeando;

Posição do toiro na arena: Sortes por dentro; Sortes por fora; Sortes de dentro para fora; Sortes de fora para dentro; Sortes nos médios
Sortes nos tércios; Sortes em tábuas

Posição relativa do toiro e do cavalo; Sorte de caras; Sorte à tira de frente; Sorte à tira na perpendicular; Sorte à meia-volta; Sorte à garupa

No seu livro «O Toureio Equestre em Portugal», o Engº Sommer d’Andrade define com precisão e rigor as sortes do toureio a cavalo. De todas elas escolhemos apenas três para ilustrar, de forma sucinta, esta abordagem.

“A SORTE DE PODER A PODER

Diz-se da sorte de largo, a dois tempos, em que o cavaleiro e o toiro, estando ambos encostados às tábuas, diametralmente opostos, saem ao encontro um do outro, a todo o correr, para reunir no centro da arena. É uma sorte de grande valor tauromáquico e espectacular.

A SORTE EM TERRENOS CAMBIADOS

Diz-se quando o cavaleiro inicia a viagem, simulando ir por um lado, e muda (cambia) a sua direcção, acabando por passar pelo outro. Há quem chame a esta sorte «ir ao corno contrário». Difere do carregar da sorte porque o movimento é muito mais largo, mais amplo, não tem batida, nem medição da batida, nem aguentar. (...)

A SORTE DE CARAS

Esta sorte é a única que tem todos os atributos de uma sorte executada com todos os primores da tauromaquia, com todos os tempos. Pode ser feita em todos os terrenos, desde que o toiro invista e humilhe. Desde a sorte de poder a poder até ao quiebro, com ela todas as cambiantes são possíveis. Para executar a sorte de caras com todos os predicados, deve o toiro ter investida, ser claro e ter bom estilo. Quando faltar ao toiro um destes predicados, ao cavalo obediência ou ao toureiro coração, então tem de se condescender com algum dos predicados acima descritos. Da adulteração desta sorte, por falta do «carregar da sorte», cai-se na sorte à tira.(...)”

Como se poderá verificar através da leitura de algumas obras de cariz tauromáquico que abordam as diversas sortes do toureio, nem sempre os autores estão de acordo quanto à catalogação das sortes, podendo aqui e além surgirem diferentes interpretações de uma mesma sorte, consoante a categoria do executante e a sua capacidade de lhe transmitir algo de pessoal.

 

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